Aquém e Além

Quando oprimidos pela densidade do sofrimento, da angústia e do medo, pelos sentimentos de solidão e perda, podemos sempre recorrer àquilo que pessoalmente faz sentido e tem poder para nos libertar.

Cada um tem em si mesmo um relicário onde pulsa a fonte da vida, aquela que nos restaura, eleva, que a tudo confere nexo, e faz tudo valer a pena. Algo que nos transfere do peso para a leveza.

Podemos acessar essa “fonte de vida” pela via do passado, quando, por exemplo, nos conectamos com as mais caras lembranças da nossa infância – memórias nas quais sentimos que o mundo era um lugar maravilhoso para se estar.

Também podemos chegar a essa esfera através do presente, nele buscando reconhecer aquilo que de fato nos faz sentir vivos, seja o encontro com um amigo querido ou uma atividade prazerosa. Podemos ainda sentir a força dessa energia quando planejamos um futuro que almejamos e damos passos firmes em sua direção.

Assim as perspectivas do passado, do presente e do futuro se ampliam e tornam-se imensos mananciais de vitalidade.

Tempo e espaço ganham ainda maior dimensão, quando avaliados sob o prisma da Antroposofia, de acordo com a o qual o espirito humano, nossa identidade-mor, obedece às leis da reencarnação, das repetidas vidas sobre a Terra.

Desse ponto de vista, a vida se expande para aquém do nascimento e além da morte, em um moto contínuo de aprendizagem e evolução.

E quando então conhecemos e/ou reconhecemos esta visão de ser humano em sua dupla natureza, material e imaterial, tudo adquire outra proporção e significado.

A dor, o luto, os aspectos sombrios da existência, o bem e o mal, as origens e o propósito da vida humana.

Aos interessados em aprofundar neste tema de vida antes do nascimento e vida após a morte, sugiro a leitura do livro Teosofia, de Rudolf Steiner.

Eliane Utescher    

Psicóloga / Terapeuta Biográfica

Published in: on 12/03/2021 at 7:30 p03  Deixe um comentário  

Um olhar retrospectivo

Em muitos trechos de sua obra, Rudolf Steiner ressalta a importância de um exercício específico para a higienização e fortalecimento da alma, denominado Retrospectiva. Ele é abordado sob vários ângulos e em diversos níveis de profundidade.

Idealmente é uma prática diária, na qual repassamos mentalmente todos os acontecimentos do dia na ordem inversa do tempo em que ocorreram.

Rememorar do fim ao início uma peça de teatro, um conto que lemos, também é salutar para todo o organismo, contribuindo para a transformação da nossa consciência comum em uma consciência mais desperta e refinada.

Ao percorrer esse caminho – que nos conduz à direção contrária ao rumo ordinário dos eventos –, tonificamos nossa vitalidade, fortalecemos nossa capacidade de discernimento e libertamos nosso pensar da sequência linear do tempo.

Podemos estender esta reflexão para o momento atual em que vivemos, e exercitar uma atitude interna que retrocede ao momento da instalação do medo e da insegurança que a pandemia trouxe à humanidade.

Relembrar de como o nosso mundo é um lugar de encontros significativos, de paisagens deslumbrantes, de criações artísticas inumeráveis, de sonhos, esperanças e realizações, têm o poder de restabelecer nossa confiança na renovação da vida.

Porque simplesmente ela se renova desde sempre.

Talvez, ao chegarmos ao fim de um ano tão desafiador, possamos praticar um olhar retrospectivo sobre cada ato de superação que desenvolvemos frente às dificuldades que se apresentaram.

E com isso, nos darmos conta da enorme força motriz que subjaz em nosso interior, capaz de criar novas e mais fecundas realidades.

É mister acordar para o milagre da existência !

Como diria o poeta Guillaume Apollinaire: “ Já é hora de reacender as estrelas”.

Eliane Utescher

Published in: on 21/12/2020 at 7:30 p12  Deixe um comentário  

O Cuidar e a Liberdade

“…Não podemos pensar sobre o conceito completo do ser humano, sem chegar ao espírito livre como a mais pura manifestação da natureza humana. Somente somos verdadeiros seres humanos na medida em que somos livres.” Rudolf Steiner

Um dos fatores relevantes no tratamento em psicoterapia de adultos de orientação antroposófica é o tempo de duração propriamente dito. Evita-se a dependência, estimulando-se a autonomia.

Ciente de que a cada individualidade corresponde uma natureza singular, e que cada caso é um e único, o profissional sabe que o acolhimento, nesse âmbito, visa a uma transição. É um “servir”que prepara e almeja devolver o indivíduo a si mesmo e à vida que pulsa na vastidão do mundo, do lado de fora das paredes do seu consultório.

A necessária e íntima ligação que se estabelece paulatinamente entre terapeuta e paciente está baseada nos princípios da liberdade e da evolução, ambos norteadores de toda a terapêutica fundamentada na Antroposofia.

Cuidamos, apoiamos e ajudamos a desenvolver no outro aquilo que ele não está, temporariamente, conseguindo abarcar em determinado momento de sua vida. Ele não está podendo Ser.

Confiamos no vir a Ser.

Através de um olhar que enxerga no outro a sua identidade essencial, o terapeuta inicialmente “empresta”, como imagem, seus sentidos e membros, para conduzi-lo. Mas é apenas para relembra-lo, ao longo do processo, que é ele mesmo, com forças de consciência e vitalidade recuperadas, quem se carregará na vida.                                                      

Para além da dor, do sofrimento, do cansaço e da doença.

Eliane Utescher

Psicóloga

Terapeuta Biográfica

Published in: on 23/10/2020 at 7:30 p10  Deixe um comentário  

O Limiar de um Novo Tempo

Uma grande contribuição contemporânea para a compreensão das emoções pelas quais passamos durante um processo de perda, separação e morte, nos foi trazida pela psiquiatra suíça Elizabeth Kubler Ross.

Com base em sua vasta experiência clínica, ela identificou 5 estágios: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Essas fases nem sempre ocorrem nessa ordem, e todas de uma vez para todo mundo. Porém todos nós experimentamos, de alguma forma, sentimentos de isolamento, revolta e falta de sentido na vida, quando expostos ao sofrimento.

O exercício da clínica em psicoterapia inspirada pela Antroposofia, nos revela que não há desenvolvimento humano sem a vivência periódica de crises, verdadeiras oportunidades para transformar padrões obsoletos em novas perspectivas, valores e formas de viver.

Desde seus primórdios, a história das civilizações e das culturas antigas tem passado por etapas evolutivas que, de forma geral, se constituíram por períodos cíclicos de construção, manutenção e dissolução ao longo do tempo.

Assim observamos como o caos tem sido desde sempre o elemento natural necessário à instauração de uma nova ordem. Ele é doloroso, mas não deixa de ser a premissa de uma ressurreição.

Recentemente sentimos o impacto de uma pandemia mundial, e agora nos encontramos em transição para um novo tempo. O ser humano se vê novamente na iminência de usar de sua liberdade para fazer escolhas.  Vivemos uma crise na nossa imunidade e na nossa humanidade.                                        

É chegado o tempo de seguir em frente.

Em certa medida parte da comunidade humana se deu conta de que seu destino e o da Terra estão entrelaçados.

Somos tempestade e calmaria, desertos e florestas, luz e escuridão.

Que possamos juntos caminhar na direção de um mundo mais inclusivo, generoso, tolerante, compassivo, colaborativo e amoroso.

Eliane Utescher                                                                                               Psicologia / Aconselhamento Biográfico

Published in: on 14/09/2020 at 7:30 p09  Deixe um comentário  

Humanização

Eventos como os que ocorrem na atualidade, nos colocam muitos desafios e em várias esferas da vida.

Mais particularmente no tocante ao território da nossa alma e estrutura emocional, podemos observar sentimentos e sensações inusitados e desconfortáveis. Manifestam-se como ansiedade, depressão, fobias, e desequilíbrios psicológicos que se espelham no corpo, causando os mais variados sintomas.

A depender do nível de consciência e resiliência, do quanto e do quão profundamente somos atingidos por doença e morte, podemos sair dessa experiência mais fragilizados ou fortalecidos.

Trabalhar com desenvolvimento humano nos ensina que, como diria Guimarães Rosa “…a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta”. Ou ainda nas palavras de Nelson Mandela “descobri que se pode suportar o insuportável, quando se é capaz de manter o espírito, mesmo quando o corpo te põe à prova”.

Ao aceitar e promover no outrem uma relação com a vida e com a natureza humana como ela verdadeiramente é, na sua inteireza, do mais primitivo ao mais evoluído, construímos uma ponte que nos eleva do sentimento de solidão à solitude, do sofrimento à superação, da ilusão do Ego à luminosa realidade do Ser.

Agora chegamos num ponto de virada para uma tomada de consciência que conecte nossa identidade com o essencial, com valores edificantes não só para conosco mesmos, mas para com o próximo, e a Terra.

Estamos testemunhando ações daqueles que se locupletam da pandemia para prejudicar outros, ou em benefício próprio; dos que conseguiram se reinventar e recriar a própria existência de forma digna; e, por fim,  dos que, tocados pela dor alheia, humanizaram-se em solidário altruísmo.

Assim estamos. Assim somos. Assim poderemos nos tornar.

Não desperdicemos esta crise!

Ela é a grande oportunidade evolutiva do nosso tempo.

Eliane Utescher

Psicóloga

Aconselhadora Biográfica

Published in: on 16/07/2020 at 7:30 p07  Deixe um comentário  

Forças de Superação

O Grito

“Façamos da interrupção um caminho novo.

Da queda um passo de dança,

do medo uma estrada,

do sonho uma ponte,

da procura um encontro.”         

                                                                Fernando Sabino

 

Ao contemplarmos a impactante pintura “O Grito”, de Edvard Munch, podemos observar 3 planos. Assim como na vida, são momentos nos quais podemos nos fixar, ou estarmos de passagem.

No primeiro plano, uma estática figura humana expressa sua face angustiada; no segundo, duas pessoas caminham juntas atravessando uma ponte; no terceiro plano, ao longe, outras pessoas navegam em águas claras. Uma imagem rica em analogias sobre o lugar, o tempo e os desafios que vivemos atualmente na nossa relação com o medo.

Pensando em planos e na direção do olhar, podemos refletir sobre este convite que o assombro nos faz. E talvez, formular perguntas para as quais ainda não tenhamos respostas. Em que plano estamos ancorando nossa consciência sobre nós mesmos?            Sobre os outros seres humanos? Sobre a vida na Terra?

O medo nos remete à paralisação, ao limiar com o desconhecido, que, por sua vez, está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento humano. Ao longo de toda a existência, vivemos entrando e saindo de diferentes ciclos, tendo que abandonar antigas seguranças e nos abrindo para o novo.

Ele é um elemento natural e necessário ao amadurecimento da autoconsciência. Ele nos desperta! Revela-se um guardião que nos impede de adentrar sem preparo no escuro, e, por isso mesmo, um semeador de forças de confiança inerentes à sua própria superação.

Um pensar menos denso e mais sutil, amplo e fecundo, reconhece naquilo que nos amedronta, no corpo e na alma, a manifestação da natureza humana em evolução.

Somos passantes. Da gestação ao nascimento, à infância, à juventude, à maturidade, à velhice.

E, em essência, da inatalidade à eternidade.

 

Eliane Utescher

Maio / 2020

Published in: on 11/05/2020 at 7:30 p05  Deixe um comentário  

A Meditação

 

“Quando o ser humano começa a fazer meditações, ele realiza, por seu intermédio, o único ato realmente livre nesta vida humana” Rudolf Steiner

Muitas são as correntes filosóficas que instruem diferentes formas de meditação através de leituras, repetição de sons, momentos de silêncio, movimentos e/ou posturas corporais.

Alguns benefícios já são largamente comprovados pela ciência, como por ex., o aumento da vitalidade física, imunidade, bem estar emocional, incremento da concentração e da capacidade produtiva, redução de stress.

Dentro da abordagem antroposófica, a prática meditativa está intimamente associada ao desenvolvimento de uma jornada individual de autoconhecimento e aprimoramento do caráter, conforme descrevemos no post sobre Caminho Interior.

Uma vez que o ato meditativo amplifica o que subjaz na alma, e ele, por si só, não garante que o praticante desenvolva uma conduta ética, é essencial uma trajetória mais cuidadosa e segura para sua realização.

O propósito da meditação neste âmbito é, para além de qualquer ideologia, realidade transcendental ou benefício pessoal, uma ação individual livre e de vontade própria em busca de estados superiores de consciência cujos frutos são devidamente compartilhados no mundo. Ela permite que nos tornemos mais humanos e despertos para o cotidiano da vida.

O legado de R.Steiner, com realizações no campo social, artístico, da saúde, educação, agricultura, economia, é uma inspiradora imagem da Meditação, que é o fundamento de todo o conhecimento da Antroposofia.

 

Eliane Utescher

Published in: on 03/04/2020 at 7:30 p04  Deixe um comentário  

Caminho Interior

 

Um tema fundamental para a compreensão do significado, da abrangência e da profundidade da Antroposofia, é o que Rudolf Steiner denominou de Caminho Interior.

Como a própria palavra já diz, trata-se de uma jornada individual de auto- conhecimento e auto- desenvolvimento que consiste, inicialmente, na prática de vários aspectos e atitudes mais nobres da alma, como tolerância, gratidão, compaixão, assim como o controle e a contenção de impulsos ligados à nossa natureza mais primitiva, como a cólera, a vaidade, a inveja.

Ao longo de toda sua obra, podemos encontrar inúmeros exercícios e indicações para o fomento de tais características. Momentos de paz interior, de silenciosa observação do mundo e de si mesmo, fazem parte do cotidiano daquele que busca em plena consciência e livre arbítrio, o aprimoramento de sua humanidade.

Colocando em termos da linguagem da Psicologia, podemos dizer que este tema está relacionado ao desenvolvimento do Ego na direção do Self, da depuração das necessidades mais instintivas da nossa constituição, em favor de qualidades éticas e humanas mais elevadas.

Para a Ciência Espiritual, a evolução caminha na passagem de comando do nosso eu inferior, para o nosso Eu Superior, nossa verdadeira identidade.

Em resumo, como assinalado acima, o cultivo desse, por assim dizer, treinamento, representa uma etapa inicial deste Caminho Interior, um preparo indispensável para a lapidação do caráter afim de que possamos adentrar com mais segurança no âmbito da Meditação propriamente dita.

Mas esse é um tema para um próximo post.

 

Eliane Utescher

Published in: on 03/04/2020 at 7:30 p04  Deixe um comentário  

A Força da Conexão

                                                       Eros e Psiquè
“Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
                                                                                                                                                      A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
      Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
                                                                                                                                        Mas cada um cumpre o Destino
                                                                                                                                                    Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
                                                                                                                                           E, inda tonto do que houvera,
A cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.”
                                                                            Fernando Pessoa

 

A inspirada poesia de Fernando Pessoa é uma bela imagem para o que se revelará, no final, como sendo o surpreendente encontro de alguém consigo mesmo.

Da mesma forma, a maravilhosa escultura de Canova, Eros e Psiquè, nos contempla com o cuidadoso empenho do amor em amparar a alma desvalida no chão.

Ambas são boas metáforas para a arte do encontro e do vínculo que se estabelece na relação entre o paciente e o psicoterapeuta na abordagem clínica antroposófica.

Inúmeros são os motivos que levam uma pessoa a procurar apoio emocional: uma doença, a perda de um ente querido, uma ruptura afetiva, uma crise existencial. Fato é que ela busca ajuda para algo que não está conseguindo fazer por si só:  a reconexão com a vida.

Inicialmente, o terapeuta utiliza dos seus recursos para formar o diagnóstico, obter uma visão abrangente da situação, e das ferramentas necessárias ao tratamento. Leva em consideração a constituição do paciente, a dinâmica dos corpos, a correlação entre as instâncias da alma, a etapa biográfica. Ao longo do processo ocorre, então, o momento onde ele precisa se abster de todo saber e abrir o espaço entre si e aquele que se encontra à sua frente. Silencia a sua mente.

Ele sabe que o vazio é necessário para que algo de natureza sutil e sanadora se manifeste. Ali, bem na região do meio, da troca, território do humano por excelência. Ele abre o seu coração e assim instaura a conexão amorosa que acolhe o outro e o leva de volta ao caminho de casa. Ao seu próprio Eu.

Para a Ciência Espiritual de R.Steiner, o amor é a causa última do desenvolvimento humano.

Ciente de que está a serviço de uma força maior e mais curativa, o profissional promove a alternância entre a fala e a escuta, para que o intermezzo carente de sentido, vá dando passagem ao que verdadeiramente preenche, ao que é pleno de significado, ao que é Presença.

“Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles”.                                                                                                                               Matheuz  18:20

 

Eliane Utescher

Psicoterapia Antroposófica

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Published in: on 08/10/2019 at 7:30 p10  Deixe um comentário  

Vitalidade e Consciência

 

No tratamento clínico em Psicoterapia Antroposófica, um dos aspectos relevantes levados em consideração, é o estado físico/ orgânico do paciente que procura apoio psicológico.

Ciente das leis que regem a dinâmica dos corpos que constituem a natureza humana, a saber, corpo físico, corpo vital, corpo emocional e corpo essencial (Individualidade), temos que manter o foco na saúde como um todo, o que, algumas vezes, pode significar uma condução terapêutica inicial que privilegia a regeneração das forças vitais em detrimento da aquisição de mais consciência.

Isso ocorre basicamente em casos de doenças graves, como, por ex, o câncer, cuja convalescença durante a rádio e/ou quimioterapia, consomem enormemente a energia vital do paciente. Calor e acolhimento são fundamentais.

Durante um certo período, ele mal tem forças para dar conta do mal estar físico que esses procedimentos desencadeiam, que dirá elaborar questionamentos sobre os desequilíbrios emocionais subjacentes à sua doença.

É preciso que, o cuidado com os ritmos diários, com sua “nutrição” – sono, alimentação, lazer, etc – sejam bem preservados durante o tratamento psicológico.

Em outras palavras, a busca de equilíbrio, neste contexto, significa, num primeiro momento, optar por uma abordagem que estimule a relação do paciente com a vida através de dinâmicas interativas, abordagem corporal e atividades artísticas revitalizantes, para que, num segundo momento, quando ele esteja mais organicamente recuperado, possa, aos poucos, ir desvendando e compreendendo racionalmente as questões que exigem mais consciência ,que consomem mais energia, como por ex. ,os pensamentos, sentimentos e anseios conflitantes em sua alma.

 

Eliane Utescher

Psicóloga Clínica

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