Natal

 

O  evangelista Lucas, no Capítulo 2, narra o nascimento de Jesus.
Com nossos olhos da alma enxergamos a jovem mãe de uma beleza e uma pureza virginal que Rafael pintou em suas “Madonas”, com a criança na manjedoura; e os pastores no campo sob um céu estrelado guardando seu rebanho. Enxergamos o anjo revestido de esplendor divino, que lhes anuncia que nasceu o Salvador; e de súbito todo o coro celestial entoando o hino: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!”
 

A cada noite de Natal lembramo-nos assim do nascimento de Jesus e renovamos no nosso  foro íntimo os votos de um amor mais caloroso a todos os nossos próximos.
 

Podemos, porém, alargar nossa visão. Podemos divisar a linda criança 33 anos depois sendo homem adulto, que padece a morte na cruz, renegado pelos dirigentes do seu povo. E podemos lembrar-nos que os Evangelhos nos narram que de forma inaudita e misteriosa Jesus, morto, ressurgiu do túmulo, aparecendo em seguida durante quarenta dias aos seus discípulos.
 

É aí que surge hoje a pergunta: quem afinal é aquela pessoa tão extraordinária sobre cujo túmulo se originava uma nova religião? E como podemos entender aquele mistério da ressurreição?
 

Houveram outros homens que viveram uma vida exemplar tais como Gauthama Budha e Sócrates. Outros houveram que conseguiram curas milagrosas e outros “milagres”. Ainda outros inocentes foram e diariamente estão sendo cruelmente torturados e mortos. O que então é o peculiar que nos conduz a chamar a Jesus de Nazaré o Cristo, o salvador do mundo? Particularmente em um mundo como o de hoje, que se encontra mais distante do que nunca da paz, da harmonia e do amor?
 

Para compreendermos esse grande mistério devemos voltar nossos pensamentos às origens do mundo e da humanidade.

Conta-nos o Velho Testamento, em forma de grandes imagens, que Adão e Eva, os primeiros homens, saíram primorosos das mãos da Divindade.  Porém, sucumbiram à sedução do tentador e perderam a inocência, tornando-se mortais. Nos milênios que se seguiram, a humanidade, na qual havia entrado o germe do egoísmo, desceu degraus até chegar, sob  o Império Romano, na época de sua decadência, ao cúmulo da depravação.                  

Se a humanidade não deveria perder por completo seu caminho e até  sua própria identidade, então, tornava-se necessário um novo ato da divina providência.
 Mas  como? Não  havia esse Ser Supremo mesmo posto um limite à sua onipotência em relação aos homens? Não havia Ele dotado os homens da faculdade de discernimento do bem e do mal quando não impediu que comessem da “árvore da ciência do bem e do mal”? E  não os havia dotado de liberdade de agir de acordo com sua cognição? Não havia Ele desta maneira abdicado de interferir diretamente no destino dos homens? A própria pergunta encerra a resposta.
 

O que então fez a Divindade para salvar os homens? Encarnou-se num ser humano, encarnou-se em Jesus de Nazaré (durante o ato do batismo no rio Jordão por João Batista). Compenetrado pelo Divino tornou-se Jesus o “Filho de Deus”; mas, ao mesmo tempo, nascido do ventre de uma mulher, era também o “Filho do Homem”. Contrário a Adão, soube resistir à tentação  pelo Diabo, recusando no deserto as suas promessas. Deus e homem em uma mesma  pessoa, padeceu, tornando-se naquele de quem Isaías ( 53,3-4) havia profetizado: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido e oprimido por Deus….”
 

Podemos perguntar: será que tudo isto por si só justificaria chamar Jesus de o salvador do mundo? A resposta só pode ser: não! Algo mais teve que acontecer para atribuir-lhe esta qualificação .

Esse algo mais é o fenômeno da ressurreição.

Como podemos explicar este fenômeno, já que é impensável que o Supremo ser infringisse uma lei natural por Ele mesmo posto, tornando um morto vivo? Seria algo que poderíamos chamar de “a impossibilidade do onipotente”? Tentemos explicar do que se trata na realidade.
 

Cada corpo de um ente vivo é produzido por energias, por forças físicas por si só invisíveis, mas que se tornam visíveis no momento em que assumem substâncias materiais, compenetrando-as e amalgamando-as consigo. Uma vez que um corpo humano formado dessa maneira sucumbe  à  morte, ele se decompõe e aquelas forças que haviam constituído o corpo físico de uma pessoa não se dissiparam depois de sua morte, mas conservaram-se coesas tais quais eram enquanto Jesus vivia, guardando inclusive seu semblante.

Foi nesta forma que Jesus, em uma corporalidade física porém  não material, apareceu aos seus discípulos. Foi nesta forma que, através da convivência com Ele, eles haviam adquirido um novo órgão  para perceber o invisível e o intocável . Essa conglomeração de forças, essa “Gestalt” ficou preservada e presente no mundo supra-sensível através dos séculos  qual um núcleo poderoso cuja força irradiante pode ser transmitida  a todos que, em um estado de meditação , tornam-se receptíveis a ela.                                    

Colocar-se nesse estado de receptividade e obter assim a força e o impulso de seguir os preceitos do mestre chama-se hoje: ser cristão, obter a salvação.
Admitimos que se trata de um grande mistério que não pode ser vivenciado exclusivamente aplicando-se o raciocínio lógico. Mas, conscientizemo-nos que somos dotados não somente de um intelecto, e sim de outras poderosas faculdades da alma que precisamos evocar e cultivar para alcançar algo dos grandes mistérios da existência humana e do mundo.

www.festascristas.com.br

Publicado em: às 22/12/2011 em 7:30 p12  Deixe um comentário  

O Advento

A antiga atmosfera do Advento desapareceu.

Ela quer ser recriada na alma humana, pela nossa consciência atual. Exercitamo-la frente ao altar. Em silêncio diante do altar: pode-se cultivar a arte da devoção e da veneração no cerne da alma. Pois, a arte de cultivo da devoção e da veneração trazem consigo a atmosfera do Advento. O mundo exterior não nos presenteia mais com a atmosfera do Advento.

Ela quer ser conquistada pelo esforço humano consciente.

Três passos criam com arte a interioridade necessária ao Advento:

 1 – Aprender a abrir o pensamento à esfera do supra-sensível. . Ao mundo onde  vivem e atuam os falecidos e o Cristo. Quem abre a possibilidade de pensar no supra-sensível como realidade, abre uma nova perspectiva de mundo. A existência e o destino humanos adquirem uma outra amplitude.

 2 – Aprender a abrir os sentimentos ao calor e à força que emanam do mundo supra-sensível. Assim como admiramos e nos voltamos à luz e ao calor do sol em dias sombrios, podemos exercitarmo-nos a sentir o envoltório caloroso com o qual seres espirituais, falecidos e o Cristo irradiam para a alma humana.

 3 – Aprender a receber a vontade do mundo supra-sensível na própria vontade. A graça divina não exige passividade, mas a atividade de aceitar: “Sê feita a Tua vontade, como nos Céus, assim na Terra”.

 São os pensamentos, os sentimentos e a vontade dos mundos espirituais que tecem no ser humano a força da interioridade. As substâncias necessárias para isso são a devoção e a veneração, substâncias criadas pela arte da consciência humana, na harmonia do pensar, sentir e querer.

Foi uma necessidade a morte exterior da atmosfera do Advento.

Ela só adquire realidade, em nossa época, ao ser recriada com arte na atividade da alma humana, isto é, na força da interioridade.

Marcus Piedade

Publicado em: às 16/12/2011 em 7:30 p12  Deixe um comentário  

Meios Eletrônicos e Educação : Nova Vida ou Destruição?

                   

Os meios eletrônicos (TV, video games, computador e Internet) estão sendo cada vez mais usados por crianças e adolescentes. Esse verdadeiro ataque à infância e à juventude começou entre nós na década de 1950, com o advento da TV. No entanto, há diferenças brutais entre aquela época e a presente. Por exemplo, a TV penetrou nos dormitórios das crianças e aparelhos portáteis como jogos eletrônicos e celulares conectados à Internet podem ser usados em qualquer lugar. Com isso, os pais perderam totalmente o controle do que os filhos vêem e fazem com os aparelhos.

 Os resultados têm sido absolutamente catastróficos, como por exemplo a diminuição do rendimento escolar, o que já está plenamente provado por pesquisas estatísticas.

 Todos esses aparelhos têm algo em comum: trabalham com telas. A consequência imediata disso é que o usuário tem que ficar imóvel à frente deles, em geral sentado. Obviamente existem exceções, mas a quase totalidade do uso de aparelhos com telas exige que o usuário fique sentado sem fazer nada – ou quase nada.

A sucessão muito rápida de imagens faz com que não se consiga refletir sobre o que está sendo visto. Esse estado interior de relaxamento corresponde a um estado de sonolência, semi-hipnótico, o que já foi comprovado por vários estudos neurofisiológicos.

O estado de sonolência do telespectador tem duas consequências principais. Para impedir que a pessoa passe para o sono profundo é necessário apelar para emoções fortes, já que o adormecimento do telespectador seria um desastre para os anunciantes (ou para o nível de audiência no caso da TV pública ou educativa). Por isso há tanta violência e erotismo na TV, e todo programa tem que ser movimentado, tipo show.

Há aqui um círculo vicioso: para que o usuário da TV não adormeça, é necessário que as imagens mudem rapidamente .

 Por outro lado, quanto mais as imagens se movimentam, mais o telespectador “desliga” sua atividade mental consciente. Em segundo lugar, tudo o que ele vê fica gravado em seu inconsciente, isto é, a TV é subliminar por natureza. Essa é a situação ideal para a propaganda: gravação, sem crítica, no inconsciente. É muito importante saber-se que o ser humano grava todas suas vivências, a maior parte no sub e no inconsciente.

Um jovem, ao entrar na universidade, carrega em média pelo menos 20.000 horas de lixo mental da TV e dos jogos eletrônicos.

 Tanto a violência e o erotismo, quanto a gravação no inconsciente é trágica  no caso de crianças e adolescentes, pois eles estão formando sua mente. Quem acha que tudo isso passa em brancas nuvens não tem bom senso e não conhece as pesquisas sobre as influências da violência e do erotismo nas pessoas, em particular nos jovens. Está mais do que provado que a TV e os jogos violentos aumentam a agressividade, de curto a longo prazo.

Todas as crianças querem é brincar e se divertir, o que é perfeitamente normal e sadio. Se não for assim, já perderam boa parte de sua necessária infância e juventude. Então, o que eles fazem com computadores e a Internet? Brincam e se divertem!

Imagine-se uma sala de aula com os alunos digitando em seu micro. Como eles prestarão atenção ao professor? Por isso e outros prejuízos para o ensino, várias escolas americanas proibiram que seus alunos trouxessem um computador para a escola.

Está mais do que provado, inclusive com um estudo da Unicamp, que quanto mais um jovem usa um computador, pior seu rendimento escolar.

 Além do tempo perdido com coisas inúteis ou mesmo prejudiciais para a  educação, em minha concepção existe um fator profundo para o computador  influenciar negativamente o desenvolvimento. Acontece que ele é uma  máquina matemática. Qualquer comando que se lhe dê, mesmo acionando um  ícone, provoca internamente a execução de uma função matemática de  manipulação de símbolos.

 Assim, o usuário, sem o perceber, está sendo forçado a pensar  matematicamente. Isso não é sadio na idade infantil, pois a mente, e nem  mesmo o cérebro, estão preparados para esse tipo de atividade mental. Forçar um raciocínio abstrato antes da maturidade necessária significa prejudicar as funções mentais, por exemplo a capacidade de fantasiar, de imaginar, e portanto a criatividade.

Essa é uma das consequências trágicas da escolaridade precoce, como por exemplo ensinar a ler antes dos 6/ 7 anos de idade Um outro fator que prejudica a capacidade mental e de concentração é a enorme fragmentação produzida pelas imagens e, no caso dos computadores, pelo fato de se ter em geral várias tarefas ativas ao mesmo tempo. Isso ainda é piorado com o uso simultâneo de vários aparelhos, algo muito apreciado pelos jovens. Uma boa parte da educação deveria voltar-se para o desenvolvimento da capacidade de concentração, que é obviamente prejudicada por essa “multitarefa”.

Por outro lado, o uso de qualquer meio eletrônico exige um enorme autocontrole. Adultos viciam-se em TV, nos jogos violentos e na Internet; imagine-se então o que ocorre com crianças e adolescentes, que não têm autocontrole para, por exemplo, limitar o tempo de uso. Aliás, uma das consequências nefastas garantidas desses meios é diminuir a força de vontade – o mesmo efeito das drogas alucinógenas.

É preciso chamar a atenção para o fato de que a Internet apresenta um perigo imenso para crianças e adolescentes, eles não têm o necessário discernimento para distinguir o que é verdadeiro do que é falso, do que é bom e do que é mau, do que é apropriado ou não para sua maturidade e cultura.

Finalmente, é preciso entender que não é, em absoluto, necessário que crianças e adolescentes usem os meios eletrônicos. Qualquer pessoa pode aprender a usá-los na idade adulta jovem. Por outro lado, os benefícios que eles podem trazer à educação são infinitamente suplantados pelos prejuízos.

Trechos selecionados do artigo de Valdemar W. Setzer
Depto. de Ciência da Computação da USP
www.ime.usp.br/~vwsetzer

Publicado em: às 21/11/2011 em 7:30 p11  Deixe um comentário  

Prout

PROUT é a sigla de Progressive Utilization Theory, ou seja, Teoria da Utilização Progressiva, que é um modelo sócio econômico proposto, em 1959, por Prabhat Rainjan Sarkar (1921-1990).

A Teoria da utilização progressiva, como o próprio nome indica, é uma teoria inspirada na idéia da “utilização progressiva”. “Utilização”, no presente contexto, significa a capacidade que o mundo material tem de suprir as necessidades dos seres humanos e impulsionar o seu desenvolvimento nas esferas: física, mental e espiritual. “Progressiva” é o termo aplicado às coisas direcionadas ao progresso, conduzidas para o bem-estar.

Em PROUT, a motivação para a atividade econômica é atender às necessidades humanas, acelerar o desenvolvimento dos seres humanos, com o intuito de utilizar progressivamente o potencial dos diferentes recursos, serviços e idéias, visando o bem-estar coletivo, ajustando assim a dinâmica e o progresso político, econômico e social.

É um sistema universalmente aplicável, com base nos valores do Neo Humanismo

O objetivo econômico de PROUT é a “utilização máxima” e a “distribuição racional” dos recursos do mundo. Utilização máxima no campo da economia significa que os recursos do mundo deveriam de ser distribuídos de forma progressiva e eficiente, com a intenção única de atender às necessidades de todos os seres humanos. As pessoas devem planejar a sua própria economia e controlar os seus próprios recursos. Isso é essencial para garantir a sustentabilidade do meio ambiente e prevenir a exploração econômica.

PROUT estimula a evolução científica constante, com o espírito de promover o bem-estar geral, a independência econômica local e o aumento da produtividade. A economia deve garantir o poder de compra da população e a produção das necessidades básicas.

O aspecto mais marcante e fundamental do sistema de PROUT é a garantia das necessidades básicas a todos. As necessidades básicas devem ser definidas de forma progressiva, ou seja, deve haver um ajuste contínuo das necessidades básicas, de acordo com os recursos disponíveis e o padrão científico da localidade.

As necessidades básicas devem de ser asseguradas através do planejamento local, o qual deve garantir a criação de empregos, para que a população possa ter poder de compra. Somente em circunstâncias especiais, ou no caso de pessoas com problemas mentais ou fisicamente incapazes, poderá haver algo semelhante ao sistema de proteção e bem-estar social vigente.

Na estrutura de PROUT, o poder de compra das pessoas é tido como a medida de desenvolvimento econômico. Para facilitar o aumento contínuo dessa capacidade, certos fatores são necessários, são eles:

  1. Disponibilidade de produtos e serviços básicos;
  2. Preços estáveis;
  3. Aumento progressivo e periódico dos salários;
  4. Aumento da riqueza coletiva e da produtividade.

PROUT classifica estes itens como as cinco necessidades básicas da vida:

  1. Alimentação;
  2. Vestuário;
  3. Habitação;
  4. Assistência médica;
  5. Educação.

Na categoria de necessidades suplementares estão:

  • A energia;
  • O transporte local/laboral;
  • A disponibilidade de água, etc.

Amenidades devem ser providenciadas para que as pessoas possam contribuir mais efetivamente para a sociedade. Por exemplo, um cientista deve ter equipamentos de última geração; um artista, materiais de primeira categoria; e assim por diante. Assim, esses indivíduos poderão desenvolver as suas habilidades de forma a proporcionar maior benefício a todos.

As pessoas com habilidades especiais e que prestam serviços importantes devem receber incentivos acima da média da população. Também deve de haver esforços constantes para providenciar o máximo de amenidades para todos, independentemente do mérito individual.

Por fim, haverá um processo infinito para minimizar a disparidade entre ricos e pobres, embora ela nunca deva chegar a zero.  Esse direito ao máximo de amenidades deve constar na Constituição.

O salário mínimo deve de ser suficiente para atender às necessidades básicas: casa, comida, vestuário, assistência médica e educação. Estas necessidades devem variar de acordo com o lugar, a época e a pessoa.

No sistema de PROUT as necessidades básicas são garantidas e existe um limite para a acumulação da riqueza. Os salários mais altos devem subir na mesma proporção que os mais baixos. A aplicação de um teto para os salários mais altos dependerá da economia local e de como a sociedade se manterá economicamente ativa e dinâmica.             

Numa sociedade sem grandes disparidades econômicas um teto salarial (10xX) que corresponda a 10 vezes o salário mínimo (X) será o ideal, num primeiro momento. A sociedade ao trabalhar para elevar o padrão de vida dos seus membros mais pobres, garantirá a melhoria de todos. Na medida em que o valor “X” aumenta, a riqueza coletiva aumentará.

Com PROUT, os frutos do trabalho são do trabalhador, devendo ele manter um controle sobre isso. Para alcançar isso, PROUT recomenda a economia descentralizada, baseada no sistema cooperativo.

As aplicações práticas e as regras fundamentais de PROUT devem de ser modificadas de acordo com as mudanças de tempo, lugar e pessoa. As adaptações evitarão a sua queda em armadilhas dogmáticas. A libertação de dogmas é um sinal de progresso.

O desenvolvimento de PROUT surge do esforço para estabelecer a racionalidade e a justiça social para todos e firmar a harmonia entre as atividades humanas e as aspirações espirituais mais profundas.

www.proutugal.org  cooperativismo. auto-suficiência. neo humanismo (síntese)

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Publicado em: às 14/10/2011 em 7:30 p10  Deixe um comentário  

Antroposofia

A ciência, na realidade, é um diálogo entre o mundo e o pesquisador. Um diálogo que vai e volta. Ao fazer ciência o ser humano conhece o mundo e também a si mesmo.

Existe no campo da ciência um mito alimentado por Descartes de que a ciência deve ser objetiva e descrever os fatos externos. Esse mito está muito arraigado na época contemporânea. O impasse que se criou entre a ciência oficial e a alternativa não pode ser solucionado se nos dedicarmos apenas a descrever os fatos de forma objetiva. É preciso que façamos uma revisão dos postulados básicos do pensamento.

Necessitamos reaprender a observar a Natureza de uma forma comum, mas precisamos principalmente observar a nós mesmos. Definitivamente, o pesquisador não pode ser eliminado da pesquisa. Esse foi um dos maiores erros ocorridos dentro do mito científico moderno : o pesquisador e a pesquisa foram dissociados.

As idéias sobre método científico contidas neste texto estão inspiradas nas obras filosóficas de Rudolf Steiner que foi um filósofo austríaco que viveu no começo do século 20 e estabeleceu as bases de uma metodologia que reúne o pensamento lógico e o pensamento analógico dentro de uma unidade funcional. Quando a enciclopédia britânica procurou Steiner para que, de próprio punho, fizesse uma definição do que é Antroposofia, ele escreveu : “ Antroposofia é a ciência feita com o Eu Superior do Homem ”.

O que ele quis dizer com isso ? Essa definição pode ser vista sob vários ângulos. Agora vou relacioná-la com o que venho expondo sobre o pensamento. Se estivermos tão impregnados pela lógica ou pela analogia sem nos darmos conta de que ambas nos oferecem pontos de vistas relativos, parciais e complementares, não estaremos usando a nossa liberdade de pensar com todo o seu poder. Mas se coloco cada forma de pensamento de um e de outro lado, o que fica no meio para fazer a união ? O meu Eu, a minha individualidade, que pode se valer livremente do pensar.

Dito de outra forma e em palavras do Steiner : “Queres conhecer o Universo ? Procura no mais fundo de ti ! Queres conhecer a ti mesmo ? Procura no mais profundo do Universo!”

Antroposofia, etimologicamente falando, significa “a sabedoria do homem”. A sabedoria, a sofia, é a capacidade de conhecer que o ser humano exerce quando usa todo o seu potencial mental e criador. Isso não quer dizer que as pessoas que trabalham com Antroposofia sejam sábias. Apenas reconhecem a necessidade de manter o equilíbrio no pensamento.

Pessoalmente me dedico há muitos anos a estudar o método científico antroposófico e a exercer a minha profissão de médico orientado por essa filosofia. E ocorre com esse estudo algo muito mais primordial para mim do que ser sábio : reconhecer as minhas limitações.

É por causa da necessidade de ampliar o método científico que Rudolf Steiner escreveu e difundiu o método antroposófico, inspirado na quase desconhecida obra científica de Goethe. A rigor, é um erro denominar esse método de novo. É novo na feição, no sentido de se adaptar bem à época e mentalidade contemporâneas. A divisão do nosso pensamento em lógico e analógico é tão antiga quanto o próprio pensar. E, do que sabemos a respeito de Aristóteles e Platão, é um problema bastante antigo, que vem sendo pensado pelo ser humano há séculos.

Afinal, todas as pessoas pertencem à espécie Homo Sapiens, que significa homem sábio. Se observarmos atentamente a humanidade, não concluímos exatamente que sejamos uma espécie especialmente sábia. Os conceitos definem o que podemos observar. As analogias definem pelo vir a ser, pelo que podem se tornar.

Quando alguém usou a expressão “Homo Sapiens” para falar do ser humano, sem dúvida usou uma caracterização analógica. Pois o ser humano pode ser sábio. Precisamos cada vez mais da honestidade para reconhecer que temos usado instrumentos mentais insuficientes.

A Antroposofia é um método que nos permite entender o caminho que leva até essa sabedoria tão almejada pela nossa espécie e de que todos, sem exceção, temos direito de usufruir.

Todas as pessoas são dotadas de uma individualidade livre, que pode nos estimular cada dia mais a realizar o sábio processo de integração do nosso ser.

Gerardo Antonorsi Blanco , em Ciência, Arte e Fé.

Publicado em: às 22/06/2011 em 7:30 p06  Deixe um comentário  

Pentecostes

É uma palavra que vem do grego e significa “quinquagésimo”. É o 50º dia depois da Páscoa. É a solenidade da vinda do Espírito Santo.

Antes de ser uma festa dos cristãos. Pentecostes foi a festa dos judeus. Antes de se chamar assim, tinha outros nomes e era uma festa agrícola. Era chamada de Festa da Colheita, a festa dos primeiros feixes de trigo colhidos. Com o tempo, ela  perdeu sua ligação com a vida dos agricultores, recebeu o nome grego de Pentecostes e se tornou uma festa cívico religiosa.

Para nós do mundo ocidental, estas festas significam colocar diante de nós poderosas imagens que penetram profundamente nas almas.

O fundador do Cristianismo após a consumação do Mistério de Gólgota, assumiu uma nova forma corpórea, entre os discípulos, ministrando ensinamentos.

Ao fim destes 40 dias, manifestou-se visivelmente aos seus primeiros discípulos e enquanto falava com eles, dissolveu a tal forma corpórea e ascendeu aos céus. Este dia ficou conhecido como o dia da Ascensão.

Após esta data, os primeiros discípulos perderam totalmente o contato com o mestre e se sentiram desorientados e nesse estado de extrema dor pela perda, fizeram um apelo veemente em conjunto para que o Cristo os orientasse.

Passados dez dias da Ascensão, e estando eles reunidos, com profunda devoção, no dia de Pentecostes – a tradicional festa do seu povo,  – presenciou um “súbito e impetuoso vento’ que se manifestou tanto fora como dentro di recinto, que soou como um “som de uma trombeta”.

Através dessa imagem, as almas dos primeiros discípulos foram despertadas para a visão superior. Eles foram chamados a contemplar, o que iria ocorrer na vida futura da humanidade na Terra. E tudo aquilo que eles aprenderam com o mestre, tornou-se claramente consciente e sentiram o poderoso impulso em seus corações, compreendendo que Ele entrou na corrente evolutiva da humanidade.

Em seguida ocorre a chegada do Espírito Santo na forma da ‘língua de fogo”, que desceu e pairou sobre a cabeça de cada um dos doze discípulos.

Eles sentiram os seus corações nascendo longe, muito longe, entre diferentes povos da esfera terrestre e em diferentes épocas. Sentiram também que algo novo penetrou em seus corações, que permitiu-os a expressar de tal forma que todos pudessem entender além da barreira da língua, sendo a comunicação de coração.

Viram que estavam com forças para proclamar o Evangelho em palavras que seriam compreensíveis a todos, não somente àqueles que tiveram contato direto no tempo e no espaço, mas para todos os seres humanos do presente e do futuro.

Estas imagens têm profundo significado no Cristianismo esotérico.

Na época anterior a vinda de Cristo, os seres humanos tinham fortes sentimentos que eram membros de um povo, tribo ou raça. Isto é expresso certamente na antiga religião dos hindus, na sua crença de que somente aqueles que tinham ligações através do sangue, eram hindus legítimos.

Entretanto, a humanidade estava muito tempo nesse estado de desenvolvimento, e o espírito do povo havia atingido o final da sua missão.

E então Cristo veio para dar novo impulso nessa evolução.

Rudolf Steiner, respondendo à pergunta do que poderia ter ocorrido se Cristo não tivesse vindo na época que de fato veio, disse que a humanidade se desenvolveria por mais três a seis séculos e depois estagnaria por completo e, portanto, deixaria de evoluir.

Cristo elevou o nível do espírito do povo e nos Evangelhos esse novo espírito foi denominado por “Espírito Santo”. Assim, a partir da vinda de Cristo, os homens não mais pertencem ao espírito do povo, mas ao Espírito Santo.

E, portanto, não sentem como pertencentes a um povo, mas pertencente a humanidade universal, e isso independente do povo ou raça a que pertence.

No dia de Pentecostes, Cristo retornou e penetrou nos corações de cada um dos discípulos de forma individualizada. Nesse dia, Cristo reapareceu em forma múltipla, permitindo que cada um dos primeiros discípulos se tornasse portador e pregador da mensagem Dele.

Quanto mais o homem adquire a perfeição interna, mais sentirá o Espírito Santo falando para o nosso interior, permeando o pensar, sentir e querer, que através da divisão em multiplicidade é também um espírito individual, e atua na individualidade humana.

O homem é livre somente quando descobre o seu espírito, e quando esse espírito se torna senhor da natureza corporal, pois do contrário é escravo da natureza corporal no qual o espírito reside.

O símbolo de Pentecostes é para nós o mais precioso dos nossos ideais, constitui a meta para o desenvolvimento da alma livre dentro do envoltório da individualidade livre.

A verdadeira ação do impulso de Cristo não se revela enquanto age na alma individual humana. Cristo só estará presente quando agirmos praticando atos  para outrem.

Aqueles que compreenderem o evento de Pentecostes evoluirão cada vez mais, e comunicarão com seus semelhantes de forma sempre inovadora; e assim poderão estar sempre presentes no mundo das almas individualizadas do Espírito Santo, conduzindo de maneira renovada do impulso da alma humana.

Nós podemos acreditar no futuro do cristianismo quando entendermos realmente a idéia de Pentecostes. Sentiremos o pensamento da paz, do amor, e da harmonia, que se encontra no pensamento de Pentecostes. E nós sentimos este pensamento Pentecostes vivificando o nosso festival de Pentecostes, como garantia para nossa esperança da liberdade e da eternidade.

Ao compartilhar o mundo espiritual, o ser humano pode-se tornar consciente da sua imortalidade e da sua eternidade. No pensamento de Pentecostes nós realizamos verdadeiramente o poder daquelas palavras primitivas que iniciam e continuam implantar, e que nos revelam o significado da sabedoria e da eternidade.

trechos do site wikipedia e do artigo de Elizeu Takase  ”Pentecostes, a festividade da individualidade livre”

 

Publicado em: às 09/06/2011 em 7:30 p06  Deixe um comentário  

Psicologia Antroposófica no Brasil

 

Desde a década de setenta muitos psicólogos se interessaram pela Antroposofia como complementação profissional. Em 1995, inicialmente com apoio da Associação Brasileira de Medicina Antroposófica, e posteriormente com a fundação da Diadorim – Associação Brasileira de Psicologia Ampliada pela Antroposofia – foi criado um primeiro curso de formação dirigido especialmente aos psicólogos, e que formou uma primeira turma certificada em Psicologia Antroposófica.

A experiência desse curso de formação foi relatada no Congresso Internacional para Psicoterapeutas Antroposóficos, realizado na Holanda no ano de 1997.  Embora essa iniciativa não tenha tido continuidade, sua realização teve como conseqüência a manutenção do interesse de psicólogos clínicos por essa área de conhecimento que buscaram, a partir de então, as formações existentes nas demais áreas de terapias antroposóficas. Há, portanto, no Brasil, um número expressivo de profissionais pioneiros atuando a partir da Antroposofia.

Em 2004 foi organizado um curso de aprofundamento em psicoterapia antroposófica dirigido a psicólogos clínicos e a médicos (psiquiatras ou com alguma formação na área psicológica), ministrado por Adrianus e Henriette Dekkers. Esse grupo de 35 profissionais formou-se em 2006, com o compromisso da criação de uma formação brasileira.

Em março de 2009 iniciou-se o curso de especialização lato sensu (reconhecido pelo MEC) Psicologia Clínica e Antroposofia na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em parceria com a Associação Sophia de Educação Antroposófica. Tem por objetivos contribuir para o aprimoramento dos profissionais, para organização acadêmica dessa disciplina, para a produção de trabalhos científicos, para zelar pela qualidade associada ao nome da Antroposofia.

                                               Adelina Rennó

 

 

Publicado em: às 15/05/2011 em 7:30 p05  Deixe um comentário  

Páscoa

          

A Festa da Páscoa é uma festa móvel, e é ela que determina o que vem antes e o que vem depois. A Páscoa acontece após o equinócio de 20 de março, no 1º domingo após a 1ª lua cheia dessa nova época do ano: outono aqui no hemisfério sul e primavera no hemisfério norte.

Por causa disso muitas pessoas acreditam ser a lua a regente da Páscoa, mas esse é um dos grandes mistérios dessa época que inaugura um novo tempo, onde não são mais forças lunares que regem os acontecimentos da vida humana e sim forças solares. O domingo, o dia do sol, o dia do Senhor, vem a ser o primeiro dia santo, inaugurando a semana de trabalho e realizações.

 Sai-se agora do espaço, ao passar da fixação espacial pelo posicionamento da lua, ao curso puramente temporal dos domingos dentro do ciclo anual.

 ACONTECIMENTOS DA SEMANA SANTA E OS 7 PASSOS DE AUTOCONHECIMENTO – exercício de reflexão:

A semana como unidade de tempo, tem relação com a tradição religiosa – já no Gênesis temos a descrição da criação do mundo em sete dias.

Os sete dias que compõem a semana recebem seus nomes dos sete planetas; arquétipos que regem a ordem do universo, sendo que das sete esferas dos planetas emanam forças espirituais que impulsionam o desenvolvimento humano.

A Semana Santa começa no domingo de Ramos e vai até o Sábado de Aleluia, sendo que, o Domingo da Ressurreição, denominado Domingo de Páscoa (do hebraico Pessach = passagem) é o primeiro dia da passagem para o Novo Sol que será a Terra vivificada pelo EU do Cristo.

1. Domingo de Ramos:

- Dia do antigo Sol – Centro, Eu, Humanização.

 ACONTECIMENTO: Chegada do Cristo em Jerusalém.

Entrar na cidade, em silêncio, montado num burrinho, tinha para Cristo, o sentido de deixar clara a transição da antiga exaltação visionária inconsciente, do entrar em êxtase, para a atitude receptiva, fruto da presença de espírito, do Sol interior na alma individual calma e vigorosa.

1º passo de reflexão- Humildade - refletir sobre posições de liderança que ocupamos. Exercitar fraternidade, independente das posições hierárquicas, não esquecendo que somos todos iguais, irmãos.

2. Segunda-feira Santa:

-Dia da Lua – Repetição, Revitalização, Reflexo.

ACONTECIMENTO:Condenação da figueira e a expulsão dos vendilhões do Templo.

Cristo condena a árvore que representava a antiga forma de clarividência, para evidenciar que deveria cessar o antigo dom de qualidade lunar das visões de êxtase, ligada com as forças da natureza da noite, pois só era vivenciada em estado inconsciente. É fundamental que agora o ser humano trilhe o caminho da autoconsciência clara e explícita, que o levará à liberdade individual.

Cristo expulsa os vendedores, devolvendo ao Templo sua condição de lugar sagrado, e aos peregrinos devolve a consciência de que estão na casa de Deus.

2º passo de reflexão- Doação - a figueira que só vale quando produz frutos. O que realizamos para os outros, sem esperar algo em troca; onde praticamos atitudes de amor, de doação do que temos, tendo consciência de onde estamos e o que estamos fazendo.

3. Terça-feira Santa:

-Dia de Marte – Luta, Autenticidade, Coragem.

ACONTECIMENTO – Questionamento no Templo e a reunião com os apóstolos no Monte das Oliveiras.

No Templo, Cristo é abordado com várias perguntas capciosas, às quais responde com parábolas, que vão revelando sua identidade espiritual. Ele mostra aos oponentes, quem realmente é e a que veio.Desenrola-se uma verdadeira luta de palavras e intenções, culminando com o “daí a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus.”

 Mais tarde reunido com os apóstolos, mostra que a maior das lutas é a batalha travada no interior, entre o medo e a vontade de colocar o Eu no mundo.

3º passo de reflexão – Auto-avaliaçãocom coragem aproveitar para autoconhecimento fazendo-se perguntas sinceras, e não com perguntas que apenas justificam nossos desejos e vontades.

4. Quarta-feira Santa:

-Dia de Mercúrio – Fluidez, Devoção, Cura.

ACONTECIMENTO – As atitudes de Maria Madalena e Judas.

Ao entardecer reunido com seu círculo mais íntimo, Cristo teve seus pés ungidos com um óleo precioso por Maria Madalena, ato que gera algumas críticas por alguns e desencadeia a revolta que se acumulava na alma inquieta de Judas, que flui para o mundo, como revolta, como traição.

Maria Madalena interioriza as forças que antes a levavam para o mundano, transformando-as, e que agora fluem para o mundo como devoção.

4º passo de reflexão – Aceitaçãopor amor se sacrificar, aceitando e superando a dor dos fatos, sem tentar mudar os rumos para direcionar para aquilo que julgamos ser o certo.

5. Quinta-feira Santa:

-Dia de Júpiter – Sabedoria, Grandeza.

 ACONTECIMENTO - O Lava Pés e a Santa Ceia.

Antes da ceia, Cristo realiza o ato de amor humilde, singelo e cheio de sabedoria, que para sempre tocará o coração dos cristãos: o Lava Pés. Síntese de todos seus ensinamentos: ‘amai-vos uns aos outros’.

Na ceia, quando oferece o pão e o vinho como novo ato sacramental, Cristo cessa a reminiscência do sacrifício do sangue fresco do animal puro, que era um ato externo que ligava a alma humana com o mundo espiritual de forma inconsciente, em êxtase. Quando Se coloca como o novo cordeiro na forma da comunhão com o pão e do vinho, Ele traz a interiorização do Eu na alma humana, até o nível do sacrifício da entrega, da aceitação do destino.

5º passo de reflexão – Posicionar-seexercitar a confiança da transformação do erro, do que não serve mais; assumindo o EU SOU sem negar aquilo que se é.

6. Sexta-feira Santa:

-Dia de Vênus – Paixão, Amor Universal.

 ACONTECIMENTO: O beijo de Judas e a negação de Pedro. A Crucificação.

Na madrugada de quinta para sexta, Cristo ao ser identificado pelo beijo de Judas, é arrastado e preso. Pedro ao ser perguntado se era um deles, nega. Acordando-se para si só ao terceiro cantar do galo. Judas ao perceber o que estava acontecendo, enforca-se numa figueira.

 Às 15h, depois de Cristo ser ironizado, flagelado, coroado com espinhos, carrega sua cruz sobre as costas e é crucificado na colina de Gólgota. ‘No Cristo torna-se vida, a morte.’ Jerusalém escurece repentinamente na hora da morte, depois de Seu sangue escorrer e penetrar a terra. O terremoto no fim da tarde após o  a colocação do corpo no túmulo.

6º passo de reflexão – Entregamas com o estabelecimento do poder interno, impedindo que a morte física traga a morte espiritual, o EU NÃO SOU.

7. Sábado de Aleluia:

-Dia de Saturno – Profundidade, Consciência, Tempo.

ACONTECIMENTO: A Terra recebe o corpo e o sangue do Cristo.

No local entre o Gólgota e o Sepulcro, existia outrora uma fenda primária na superfície terrestre. Os terremotos da sexta-feira reabrem esta fenda e a terra inteira se torne então o túmulo do Cristo. O espírito do Cristo penetra na Terra criando nela um novo centro luminoso. Estamos diante do ponto de partida de um Novo Sol em formação.

7º passo de reflexão – Redenção - desenvolver a esperança, reconhecer que agora cada um só tem a si, que depende de cada um. Silêncio e aguardar com confiança.

O drama do mistério da Semana Santa é uma unidade grandiosamente completa em si.  Acompanha-se de um mistério de composição que se nos desvenda à medida que desenvolvemos o sentido em relação ao valor das etapas na vida de Jesus. O que aconteceu nos sete dias pré-pascais é uma condensação de toda a vida do Cristo. As mesmas leis originais e as mesmas etapas reveladas na sagrada biografia dos três anos ressurgem dramaticamente resumidas diante de nossa visão. A partir da semana da Paixão podemos reconhecer nos três anos de vida do Cristo toda uma grande Paixão. A Entrada em Jerusalém é uma oitava do Batismo no Jordão. Completa-se a entrada do Cristo em nossa existência terrena. Recebe seu cunho definitivo o mistério da Encarnação que se iniciara três anos antes.

A Idéia da Páscoa precisa passar da condição de morte para a condição do que vive. O vivo se caracteriza por fazer germinar outra coisa viva a partir de si, e esse é o maior dos mistérios – o mistério do sangue e da morte, o mistério da vida.

 

Exercício de reflexão elaborado pela psicóloga Marisa Clausen Vieira pesquisando as seguintes fontes: .

 - Os Acontecimentos da Semana Santa – Emil Bock

- A Respiração da Terra e as Quatro Grandes Comemorações Anuais –  GA 223 – Rudolf Steiner

- Encarte da Artemisia –Época da Páscoa –Edna Anmdrade.

- Evangelho segundo João- Rudolf Steiner.

Publicado em: às 17/04/2011 em 7:30 p04  Deixe um comentário  

Estresse

 

Estresse é um problema químico. Quando as pessoas se sentem estressadas, um diminuto circuito na base do cérebro provoca a liberação de glucocorticóides, uma família de hormônios do estresse, que coloca o corpo em estado de alerta.

Essas moléculas têm esse nome por conta da sua capacidade de aumentar rapidamente os níveis de glicose no sangue, proporcionando músculos com uma explosão de energia. Elas também descontinuam todos os processos corporais não emergenciais, tais como digestão e a resposta imunológica.

“Isso é apenas o corpo sendo eficiente”, diz Dr. Robert Sapolsky, pesquisador da Universidade de Stanford, EUA. “Quando você está sendo perseguido por um leão, você não quer desperdiçar recursos no intestino delgado. Você vai ovular numa outra hora. Você precisa de cada gota de energia apenas para fugir”.

Mas os glucocorticóides têm um efeito colateral desagradável: Quando eles permanecem na corrente sangüínea, o dano é cumulativo. É a versão fisiológica de um governo dedicando recursos em demasia para seu Ministério da Defesa, diz Sapolsky. O corpo está tão preocupado com a guerra que não conserta as estradas nem investe nas escolas. Curiosamente, os efeitos do estresse parecem ser particularmente tóxicos para o cérebro.

Elizabeth Gould, uma neurocientista da Universidade de Princeton, EUA, é conhecida por demonstrar que o nascimento de novos neurônios – processo conhecido como neurogênese – ocorre no cérebro adulto. Durante os últimos anos, Gould tem estudado a relação entre neurogênese e o estresse em primatas. Ela descobriu que quando o estresse se torna crônico, os neurônios param de investir em si mesmos. O processo de neurogênese então diminui. Os dendritos encolhem. As árvores neurais definham.

Essas alterações celulares ajudam a explicar porque, como os pesquisadores observaram, “uma parte grande das mudanças na estrutura do cérebro e função (induzida pelo estresse crônico) têm características semelhantes àquelas observadas em doenças neurodegenerativas, principalmente doença de Alzheimer.” E quanto maior o nível de hormônio do estresse, maior o nível de declínio cognitivo.

Um dos mais inquietantes aspectos desses efeitos do estresse é a forma como eles são transmitidos através das gerações, de pai para filho. Gould demonstrou, por exemplo, que se uma macaca rhesus grávida é forçada a enfrentar situações de estresse, como por exemplo ser assustada por uma buzina estridente, suas crias nascem com redução na neurogênese, mesmo que elas jamais experienciem esse tipo de stress após o nascimento.

Esse trauma pré-natal, assim como o trauma sofrido na infância, tem implicações ao longo da vida. Os filhotes de macacos estressadas durante a gravidez têm hipocampos menores, e sofrem de elevados níveis de hormônios de estresse e ansiedade.

Ou então vejamos os seres humanos: Um recente estudo descobriu que as pessoas agredidas por seus pais durante a infância mostraram alterações epigenéticas no ADN, algo que alterou os seus genes como foram lidos. As alterações mais proeminentes envolveram genes que codificam receptores para os glucocorticóides, o que levou a uma ampliada resposta ao estresse. O abuso pode ser temporário, mas o dano é permanente, uma ferida que jamais cicatriza.

Mas nem todo ataque de stress é tão devastador. Experimentos mostram que exercício intenso pode levar à liberação de glucocorticóides. E vejam que o exercício físico ainda é confiavelmente associado a todos os tipos de efeitos positivos para a saúde.

Essas anomalias levaram alguns cientistas, incluindo Gould, a procurar as moléculas adicionais no cérebro que possam servir de “amortecedores” à resposta ao estresse. A lista de candidatos de Gould foca nos neuromoduladores, como a dopamina e a oxitocina, que são liberadas quando sentimos prazer. Ela argumenta que esses sentimentos de prazer – a capacidade de encontrar sentido no nosso trabalho, mesmo que seja estressante – podem neutralizar os efeitos tóxicos de glucocorticóides.

Essas moléculas podem também explicar porque todos os zeladores não morrem de doença cardíaca quando ainda jovens, e porque as agradáveis formas de exercício nos fazem bem. “Existem importantes diferenças individuais quanto a como as pessoas reagem ao estresse”, diz Gould.

 Jonah Lehrer

revista Wired 10/8/10

Publicado em: às 26/03/2011 em 7:30 p03  Deixe um comentário  

As 12 Noites Santas

 

É o assim denominado período que vai do Natal ate o dia dos Reis quando segundo  a antiga tradição cristã  bênçãos divinas se derramam sobre nós através dos portais das 12 constelações do Zodíaco, o cinturão de estrelas em volta do espaço sideral no qual existimos.

Podemos associar esta tradição à sabedoria antiga do Oriente através do relato da Jornada dos Reis Magos do Evangelho de Mateus. 2.2 a 10

 “Na noite em que nasceu o Salvador uma estrela se iluminou e este era o sinal há muito esperado pelos Iniciados do Oriente que durante 12 noites seguintes seguiram o brilho da estrela que os precedia até alcançar a criança que havia sido  anunciada como o Messias.”

 A jornada dos Reis Magos sob o manto estrelado das constelações zodiacais foi  considerada a partir desta época, sagrada e continua sendo um convite ao homem moderno autoconsciente para que possamos reaprender a vivenciar as hierarquias espirituais na nossa vida interna como realidades.  

 “Os seres espirituais vem ao nosso encontro quando nos preparamos para conhecê-los e falarão a nossa alma primeiramente como pensamentos e sentimentos e só então o perceberemos como realidades”

    Rudolf Steiner

A Vigília

 As 12 badaladas da meia noite do Natal anunciam a vigília que é um preparo espiritual para os 12 meses do ano que se inicia.

 Uma atenção especial deveria ser dada aos sonhos como mensageiros do espírito.

 DIA 25 DE DEZEMBRO

Na noite do dia 25 guarde um momento de silêncio e deixe a devoção permear a sua alma..

Da região de Peixes, os sábios da humanidade derramam suas bênçãos de sabedoria sobre todos. Sinta este círculo protetor em sua volta enquanto se coloca firme nos próprios pés para tomar seu destino nas próprias mãos. 

 DIA 26 DE DEZEMBRO

Nesta noite avalie o seu estado de saúde. Da região de Aquário, o Anjo que tem sido o seu  guia espiritual  através de sucessivas vidas,  ilumina suas metas individuais para o ano que se inicia e fortalecerá a decisão pessoal de você se tornar o agente de sua própria saúde.

  DIA 27 DE DEZEMBRO

Nesta noite anseie pelo bem de todos.

Deixe que a  sua alma estenda as asas e o carregue para um estado ampliado de consciência. Una-se ao Ser do Cosmo e deixe que a visão do que você precisa realizar, se torne mais clara no seu pensar, sentir e querer. Da região de Capricórnio, os Arcanjos, espíritos das cosmo visões lhe presenteiam com a coragem  para alcançar suas metas.

 DIA 28 DE DEZEMBRO

Nesta noite reavalie as suas qualidades pessoais.

Da região de Sagitário, os Arqueus, espíritos da personalidade lhe presenteiam com as  forças da inteligência que injetam clareza no seu pensar e apontam a direção do seu futuro.

DIA 29 DE DEZEMBRO

Nesta noite procure ficar em paz consigo mesmo.

Da região de Escorpião os Exusiai, espíritos da forma lhe trazem a capacidade de renascer das crises e dos processos de perda, impotência,  dor e desespero.

 DIA 30 DE DEZEMBRO

Nesta noite reconheça quais os pontos de equilíbrio de sua vida.

Da região de Balança, os Dynamis, espíritos do movimento lhe presenteiam com capacidades  para uma vida coerente e harmoniosa.

 DIA 31 DE DEZEMBRO

Nesta noite concentre-se na essência do que você quer realizar.

Da região da Virgem, os Kyriotetes, espíritos da sabedoria lhe presenteiam com a capacidade de encontrar  forças a partir do seu próprio interior para fazer desabrochar a sua vida.

 DIA 1 DE JANEIRO

Nesta noite, abandone o medo dos desafios que você tem pela frente.

Da região de Leão, os Tronos, espíritos da vontade lhe presenteiam com  poderosas forças para que você  vença as provas que as suas escolhas lhe trazem.

 DIA 2 DE JANEIRO

Nesta noite deixe de lado a apreensão pelas mudanças que estão ocorrendo em sua vida.

Da região de Câncer, os Querubins, espíritos da harmonia lhe presenteiam com a força de se harmonizar com o novo e criar aconchego para os momentos de transição.

 DIA 3 DE JANEIRO

Nesta noite abra o seu coração, reconheça o bem em si e nos outros.

Da região de Gêmeos, os Serafins, espíritos do amor lhe presenteiam com os impulsos para vencer a barreira do individualismo e da solidão  e encontrar sentido na união e na fraternidade. 

DIA 4 DE JANEIRO

Nesta noite eleve o olhar e enxergue  novos horizontes para a sua vida .

Da região de Touro, o Espírito Santo lhe presenteia com a  força da persistência que leva ao progresso.

 DIA 5 DE JANEIRO

Nesta noite pense em uma graça que você quer alcançar.

 Da região de Áries, Cristo, o próprio filho de Deus lhe traz a liberdade de ser você mesmo.

 DIA 6 DE JANEIRO

 Alcançamos o último degrau desta escada que nos transportou imaginativamente até as fronteiras do universo.

Estamos diante do portal por onde o filho de Deus, considerado como  Eu cósmico adentrou da região do divino, da esfera do Brama, Javé, de Alá,  para a nossa existência.

 Através deste portal ressoa no nosso intimo vindo das regiões macrocósmicas, do  além do zodíaco,  a voz  do Pai, 

“Este é o meu filho muito amado, hoje eu o engendrei.”

 A voz de Deus é a voz da tua própria consciência que pode te elevar  da condição terrena, a uma condição de consciência ampliada  trazendo-te a possibilidade  de te tornares um ser livre pleno de sabedoria e empatia.

Edna Andrade

Publicado em: às 09/12/2010 em 7:30 p12  Deixe um comentário  
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